Jaime de la Jara

The Skin

2015-03-12 | 2015-05-16

A Galeria Filomena Soares tem o prazer de apresentar a exposição THE SKIN do artista JAIME DE LA JARA (Madrid, 1972). A exposição inaugura no dia 12 de Março e estará presente até ao dia 16 de Maio de 2015.


"The Skin", Jaime de la Jara

A exposição The skin podia entender-se como um conjunto de obras independentes que, no seu conjunto, formam uma determinada cena, actuando as obras como peças de um puzzle. Pode-se perceber que as obras que compõem esta exposição vêm do interesse que tenho nos elementos que se modificam; ou que sofrem uma transformação com a simples passagem do tempo; ou que são capazes, por si mesmos, de refletir-lo de alguma forma.
Em várias ocasiões, no meu trabalho, pesquisei em torno do tempo, a partir de diferentes pontos de vista, mas entendendo-o sempre como um elemento que provoca mudanças na nossa realidade física ou na nossa memória. Fixando sempre a minha atenção na sua acção sobre os elementos e sobre os objetos que passam despercebidos, aqueles que estão ao nosso redor sem que lhes seja dada muita importância. Desta vez, a minha pesquisa levou-me a um conceito secundário, que está diretamente relacionado com o tempo e com o espaço - a ausência. Conceito que, para mim, tem uma grande importância na actualidade. Uma vez que, estamos numa situação em que, depois de viver em abundância, muitos sofrem com a ausência do que tiveram e já não têm. Agora estamos bem mais conscientes de que perdemos algo e compreendemos melhor este conceito.
Desenvolvi este projecto a partir de duas posições opostas que considero que são as mais utilizadas nos dias de hoje e em todos os meios de comunicação - Como definiu Michel Foucault, em Le Courage de la Vérité, Parrhesia (Parhesía, falar francamente) e seu oposto (Retórica) são o ponto de partida para articular este projeto e, assim, trabalhar entre dois opostos, para gerar um jogo de incertezas, de ambiguidades, de actualidade. "... Para que haja parhesía é necessário que, ao dizer a verdade, encararemos o risco de ofender o outro, de o irritar, de o enraivecer..." e "... a prática da parhesía opõe-se ponto a ponto ao que é, afinal de contas, a arte da retórica." Aqui é necessário definir o contrário do homem franco, o seu oposto, que é o retórico, aquele que usa a retórica: "Aquele homem que pode perfeitamente dizer muito mais do que pensa para que os outros acreditem que é verdade."
A partir destas duas posições - disfarces, peles opostas - encontrei uma maneira similar para compor e produzir as obras desta exposição, tal como Stephane Mallarmé definiu os dois tipos de palavras: a palavra bruta e a palavra essencial, dotando às obras estas essências para encontrar a ambiguidade que nelas aparece.
Em conclusão, pode ser entendida como uma representação ou reprodução de momentos de ausência, de tempos mortos - reproduzindo o instante quando descobrimos a pele mudada da serpente que nos indica que esteve aí mas que já não está. Reproduções de casacos nas paredes, elementos que apontam para outros, e a certeza de sabermos que não estão, tentando ser "essencial" e "bruto", sendo "franco" e "retórico". Demonstrando a ausência como uma homenagem ao negligenciado.
A exposição pode ser entendida como uma acumulação de peles, capas, que nos convidam a pensar sobre os acontecimentos, as suas circunstâncias e a viver esse momento que é agora mais longo. Como peça central que exemplifica a demonstração da prática da retórica de uma ausência, apresenta-se a instalação Pool. Uma grande lona de plástico, uma outra pele, colocada no chão, iludindo que está lá para tapar um buraco no chão e, simultaneamente, cobrindo uma piscina que não existe, tem como objetivo fazer-nos pensar que realmente está lá e em nela se poderá nadar. Presença presente, passada, futura ou impossível, a reprodução de um elemento da memória que não faz nenhum sentido.
Refletindo sobre a ausência, na "pele de cobra", volto, neste projecto, a um dos elementos habituais no meu trabalho, parte importante do meu alfabeto criativo, o mobiliário. Mantenho uma fixação no ambiente que nos rodeia e nos objectos que nos estão mais próximos, eles representam-nos perfeitamente sem a necessidade de nos referirmos a uma representação direta do ser humano. Na peça Skins and Scales dissequei uma série de imagens de poltronas, transformando-as em objetos diferentes, peles vazias de conteúdo, de estrutura, uma espécie fetiche oco.
Em outras fotografias, Skins / Absences, atribuo a qualidade do vácuo a um assento de uma cadeira, adaptando no assento um difusor de ar, expondo um interior inexistente. Díptico que faz a ligação entre os trabalhos anteriores, entre a honestidade e o engano.
Apresento, por último, o vídeo Mina, produzido entre 2014 e 15. Nele também represento uma pele, a pele da paisagem que é transformada, sem ser notada e brutalmente. Gravei o trabalho feito em uma mina de superfície, onde as escavações se enchem de água no curso de dois anos, criando lagos e lagoas nos quais a vida e a presença é palpável. No vídeo mostro o processo de preenchimento dessas mesma escavações, mostro o movimento da terra e o consequente desaparecimento ou transformação da paisagem.