Costa Vece

Revolucion - Patriotismo

2006-09-21 | 2006-11-06

 

COSTA VECE
REVOLUCION - PATRIOTISMO

21 de Setembro a 6 de Novembro de 2006.

Costa Vece é um artista de origem greco-italiano, nascido em Herisau, Suíça em 1969, e atualmente vive e trabalha entre Zurique e Berlim. A condição de filho de imigrantes, sem o passaporte suiço, mesmo tendo nascido naquele país, é uma das questões permanentes em sua obra, pois esta possuiu um caráter eminentemente político-social. Territórios, fronteiras, migrações, identidades, racismo, religião, sexo, políticas sociais igualitárias e outras questões mobilizam ao artista a criar uma série de trabalhos onde muitas vezes a pobreza dos meios revela-se condições inerentes à temática.

Costa Vece cria instalações e ocupações feitas com os mais simples dos materiais como papel cartão, madeira, roupas usadas, arames farpados, objetos calcinados, muros e outros materias que justapõe com imagens de filmes antigos, auto-retratos, retratos de sua família de imigrantes, slogans políticos, frases anarquistas, etc. Suas práticas visuais resultem em ambientes que causam reflexão sobre o papel social da arte.

Costa Vece não está interessado no poder midatico da arte, mas acredita que deva usá-lo em prol de denunciar prácticas hediondas da nossa sociedade actual, como a guerra, o racismo, a xenofobia, a falta de ética de alguns países. Os títulos de suas obras / exposições não deixam dúvidas sobre suas verdadeiras intenções: Revolucion-Patriotismo; Behind the wall is a paradise; The Art of Falling Apart (Swiss Made); Dressed to Kill; Bomb #1 - #5; Look back in anger; La fin du monde; Heaven's Gate e Rat Race.

Se, com afirmam alguns teóricos, toda arte é política, em Costa Vece a prática da arte revela-se um posicionamento diante das injustiças sociais, da manipulação da informação por conta das grandes companhias, sejam estas bélicas, energéticas, de estratégias publicitárias, etc... A arte é o palco de protesto para o artista.

Para a mostra na Galeria Filomena Soares, Costa Vece criará uma grande instalação onde não faltarão ingredientes sobre a condição dos imigrantes em Portugal; seja no uso das bandeiras (Flags) - obras feitas com roupas usadas recolhidas nos abrigos de imigrantes e homeless; seja pelo uso dos materias que separam classes sociais, territórios, como grades, portões de ferro, redes de proteção, arames farpados, e nos casos extremos, armas, granadas, tanques de guerra.

Como é da estratégia de seu trabalho, o artista realizará toda sua obra em in loco, passando uma temporada em Lisboa, onde deseja conviver com pessoas nas ruas, misturando-se aos milhares de imigrantes que saem de bairros longíquos e vão trabalhar na construção civil, nas zonas de recuperação urbana, nos cafés e restaurantes da cidade e que, no seu entendimento, na maioria das vezes são um massa silenciosa, invisivel para a sociedade.


Paulo Reis