Inês Botelho

Resistência e Desistência

2008-09-25 | 2008-11-11

 

RESISTÊNCIA  E  DESISTÊNCIA

Escultura e Desenho de Inês Botelho  (Sala II) | 25.09 - 08.11.2008

 

Na continuidade do trabalho que tem vindo a subverter noções de propriedade e de fronteira em objectos que sintetizam o espacial e o social, as actuais Esculturas e Desenhos de Inês Botelho apresentam estruturas de separação de espaço e criação de lugares que, por termos uma concepção plana do território presa com a nossa orientação vertical subjugada à lei da Gravidade, correspondem a delimitações desde a linha desenhada no chão (que não precisa de força contrária à gravítica), ao tecto erguido e sustentado acima do solo. Ou seja, entre corpos que resistem à Gravidade mantendo um espaço ocupado ou aqueles que desistem de lutar contra ela e se deixam cair e planificar no solo, abdicando de ter corpo e de necessitar de um tecto.

 

Centro é o ponto a partir do qual tudo se relaciona e se divide em hierarquias. Sem centro não há melhor nem pior, não há uma direcção nem um objectivo.

 

Espacialmente, o centro estruturante é a Força da Gravidade. Na verdade, ela tem uma capacidade paradoxalmente dupla: por um lado permite que o território (na Terra) seja receptáculo de corpos e que por isso possamos ocupar e construir. Por outro lado, ao puxar aquilo que habita a Terra para a sua superfície, faz com que os corpos estejam constantemente em esforço.

 

Se a Gravidade fosse de tal forma forte que os corpos não conseguissem manter-se erectos, sendo absorvidos pelo chão e deixando de existir como volumes, o espaço seria um plano bidimensional, desmaterializado, raso, sem qualquer relevo geográfico. O espaço estaria assim demitido da sua função de proteger, dividir, pertencer e dar identidade. Corpos e espaço seriam coincidentes numa equivalência total entre tudo.

 

Deixar-se levar pela Gravidade é abdicar de possuir um corpo e por consequência abdicar de ocupar espaço.

 

Inês Botelho | 2008