Inês Botelho

O espaço diz à matéria como se mover e a matéria diz ao espaço como se curvar

2014-01-23 | 2014-03-23

A Galeria Filomena Soares tem o prazer de apresentar a exposição intitulada O ESPAÇO DIZ À MATÉRIA COMO SE MOVER E A MATÉRIA DIZ AO ESPAÇO COMO SE CURVAR, da artista INÊS BOTELHO (Lisboa, 1977). A inauguração terá lugar no dia 23 de Janeiro (quinta-feira) às 21h30; a exposição estará patente até ao dia 22 de Março.

A obra da artista Inês Botelho reflecte, através da escultura e do desenho, problemáticas do espaço, mais concretamente sobre a discussão em torno de conceitos elementares e universais da física e da geometria, a posição e movimento dos corpos (objectos) desafiando a força gravítica, a perspectiva, a escala, os pontos cardeais e o tempo exercidos sobre e por esses objectos, criando frequentemente situações que sintetizam uma simbiose com o espaço habitável e o espaço social. As esculturas apresentadas na sala principal da galeria são compostas por objectos cuja superfície contem em si o movimento de rotação que lhes deu origem, uma vez que foram erguidas em barro numa roda de oleiro. As linhas tangentes de tais superfícies de combinação cónica, esférica e cilíndrica, sobre o chão e sobre a parede, definem um segundo movimento de rotação. A pintura nas concavidades e convexidades desses objectos revela a presença dum volume líquido agora já evaporado. Tanto a posição dos objectos, como os seus movimentos e a sua pintura, não se encontram sobre a mesma força gravítica que o espaço expositivo. Esta inverosimilhança com o espaço actual reinvoca o cerne da questão do trabalho da artista: inadaptar os dogmas do espaço construindo uma percepção dinâmica do real.

Assim, e considerando também o conjunto de desenhos expostos, executados pela queda das gotas de tinta, sujeitas ao atrito do papel que roda sobre si mesmo, a artista, ao construir múltiplas orientações numa mesma obra, destabiliza a orientação do espectador. Ao perdermos o norte, somos confrontados com outras escalas, nomeadamente a do espaço cósmico e, consequentemente, com a deslocação do sujeito e a velha questão Copérnica.

(nota: o título da exposição é uma citação do astrofísico John Wheeler)